Hipertensão Arterial

1. Conceituação




 

A Hipertensão Arterial (HA) é uma doença crônica, não transmissível, de natureza multifatorial, assintomática (na grande maioria dos casos) que compromete fundamentalmente o equilíbrio dos mecanismos vasodilatadores e vasoconstritores, levando… Read more

1. Conceituação

 

A Hipertensão Arterial (HA) é uma doença crônica, não transmissível, de natureza multifatorial, assintomática (na grande maioria dos casos) que compromete fundamentalmente o equilíbrio dos mecanismos vasodilatadores e vasoconstritores, levando a um aumento da tensão sanguínea nos vasos, capaz de comprometer a irrigação tecidual e provocar danos aos órgãos por eles irrigados1.

2. Epidemiologia

A pressão arterial (PA) elevada provavelmente é o problema de saúde pública mais importante nos países desenvolvidos. É comum, assintomática, prontamente detectável, normalmente fácil de tratar e muitas vezes gera complicações letais se não tratada. Graças aos amplos programas educacionais do final da década de 1970, realizados por instituições governamentais e privadas, o número de pacientes que não recebiam tratamento e/ou não haviam sido diagnosticados diminuiu significativamente no final da década de 1980 para cerca de 25%, com concomitante declínio na mortalidade cardiovascular. Infelizmente, em meados da década de 1990, essa tendência benéfica começou a diminuir. O número de pacientes não diagnosticados com Hipertensão aumentou quase 33%, o declínio da mortalidade cardiovascular estabilizou-se e o número de indivíduos com doenças crônicas e Hipertensão tratada inadequadamente ou sem tratamento aumentou. Por exemplo, a prevalência de doença renal terminal por milhão de habitantes aumentou de menos de 100 em 1982 para mais de 250 em 1995 e a prevalência de insuficiência cardíaca congestiva (ICC) entre 55 e 75 anos de idade mais que duplicou entre 1976 e 1980 e 1988 e 19912. Essas tendências alarmantes apóiam a necessidade de dar maior ênfase à conscientização do público sobre o problema da HA e de abordagens mais agressivas ao tratamento anti-hipertensivo e controle da PA por cuidadores3. 

 

A prevalência da HA aumenta com a idade. A HA é um problema de saúde extremamente comum na população geriátrica, acometendo aproximadamente 65% da população na faixa entre 65 e 74 anos de idade. O negro tem maior prevalência de Hipertensão Arterial do que os brancos (38% versus 29%), e os homens uma prevalência geral mais alta de Hipertensão do que as mulheres (33% versus 27%). A Hipertensão é mais comum nos homens do que nas mulheres aproximadamente até os 50 anos de idade, depois dessa idade, a HA é mais comum nas mulheres3, presumivelmente devido às mudanças hormonais da menopausa, embora o mecanismo não seja claro2. Os negros tendem a ter Hipertensão mais grave do que os brancos. A prevalência da HA sistólica isolada aumenta agudamente com a idade; menos de 5% daqueles com menos de 50 anos, porém até 22% dos que tem 80 anos ou mais3.

 

A prevalência das diversas formas de Hipertensão Secundária depende da natureza da população estudada e da extensão da avaliação. Não há dados disponíveis para definir a frequência da Hipertensão Secundária na população geral, embora em homens de meia-idade tenha sido relatada como sendo de 6%. Em contrapartida, em centros de referência onde pacientes são submetidos à extensa avaliação, foi relatada como sendo de até 35%2.

 

No Brasil, a partir da década de 60, as doenças cardiovasculares superaram as infecto-contagiosas como primeira causa de morte. Em 1998, foram registrados 930 mil óbitos no Brasil. Deste total, as doenças cardiovasculares foram responsáveis por 27%. Excluindo-se os óbitos por causas mal definidas e por violência, tal cifra aproxima-se de 40%.

 

No Brasil, em 2003, 27,4% dos óbitos foram decorrentes de doenças cardiovasculares, atingindo 37% quando são excluídos os óbitos por causas mal definidas e a violência. A principal causa de morte em todas as regiões do Brasil é o acidente vascular cerebral, acometendo as mulheres em maior proporção.

Observa-se tendência lenta e constante de redução das taxas de mortalidade cardiovascular. A doença cerebrovascular, cujo fator de risco principal é a hipertensão, teve redução anual das taxas ajustadas por idade de 1,5% para homens e 1,6% para mulheres. O conjunto das doenças do coração, hipertensão, doença coronária e insuficiência cardíaca também teve taxas anuais decrescentes de 1,2% para homens e 1,3% para mulheres. No entanto, apesar do declínio, a mortalidade no Brasil ainda é elevada em comparação a outros países, tanto para doença cerebrovascular como para doenças do coração. Entre os fatores de risco para mortalidade, hipertensão arterial explica 40% das mortes por acidente vascular cerebral e 25% daquelas por doença coronariana. A mortalidade por doença cardiovascular aumenta progressivamente com a elevação da pressão arterial, a partir de 115/75 mmHg.

 

Inquéritos de base populacional realizados em algumas cidades do Brasil mostram prevalência de hipertensão arterial (≥140/90 mmHg) de 22,3% a 43,9%

 

Foram estabelecidos os seguintes objetivos para programas e políticas de controle de Hipertensão Arterial no país: reduzir complicações, internações e mortes relacionadas à Hipertensão; reduzir a prevalência de doença hipertensiva; aumentar o grau de conhecimento da população sobre a importância do controle da pressão arterial; garantir o acesso dos hipertensos a serviços básicos de saúde, com responsabilidade; incentivar políticas e programas comunitários3.

 

 

3. Etiologia da Hipertensão Arterial

FITOLOGIA

Embora a compreensão da fisiopatologia da PA elevada tenha aumentado, em 90 a 95% dos casos a etiologia (e, portanto, potencialmente o meio de prevenção ou cura) ainda é basicamente desconhecida. Em consequência, na maioria dos casos a Hipertensão Arterial é tratada de forma inespecífica, resultando em um número grande de efeitos colaterais pequenos e uma taxa relativamente alta (50 a 60%) de descumprimento do tratamento2.

A. Hipertensão Essencial

 

Mais de 90% dos pacientes que apresentam níveis elevados sustentados de pressão arterial apresentam Hipertensão Essencial com causa não identificável. O termo “Hipertensão Essencial” deriva do conceito equivocado de que a pressão arterial alta era “essencial” para que ocorresse a adequada perfusão sanguínea para os tecidos5. Sem dúvida, a dificuldade básica na descoberta do(s) mecanismo(s) responsável(eis) pela Hipertensão nesses pacientes é atribuível à variedade de sistemas envolvidos na regulação da pressão arterial – adrenérgico periférico e/ou central, renal, hormonal e vascular – e a complexidade das interrelações destes sistemas. Várias anormalidades foram descritas em pacientes com Hipertensão Essencial, frequentemente com o argumento de que uma ou mais delas são primariamente responsáveis pela Hipertensão. Portanto, assim como a pneumonia é causada por uma variedade de agentes infecciosos, embora o quadro clínico observado seja semelhante, do mesmo modo a Hipertensão Essencial, provavelmente, tem inúmeras causas distintas2.

B. Hipertensão Secundária

 

A HA secundária, ou seja, a Hipertensão Sistêmica de Causa Conhecida, é responsável por menos de 5% dos casos de Hipertensão Sistêmica (Quadro 3). A importância da identificação dos pacientes com Hipertensão secundária é que, algumas vezes, podem ser curados por cirurgia ou tratamento clínico específico. Assim, a morbidade e mortalidade decorrentes de terapia medicamentosa empírica potencialmente ineficaz, podem ser evitadas, e o custo acumulativo do tratamento clínico ser reduzido3. Além disso, essas formas secundárias da doença podem ajudar a esclarecer a etiologia da Hipertensão Essencial2.

C. Hipertensão Maligna e Hipertensão Acelerada

 

A Hipertensão Maligna é a Síndrome da PA muito elevada (PA diastólica geralmente maior que 120 a 140 mm Hg), associada com edema de papila3. A Hipertensão Acelerada é a Síndrome de PA muito elevada, associada à hemorragia e exsudatos (retinopatia grau 3 de Kimmelstiel-Wilson). Se não for tratada, a Hipertensão Acelerada, comumente, evolui para uma fase maligna2. A Hipertensão, tanto Acelerada quanto Maligna, é associada a alterações degenerativas disseminadas nas paredes dos vasos de resistência. Tais síndromes caracterizam-se por elevações excessivas da PA, início repentino, curso fulminante, bem como evidências de lesão vascular grave e generalizada, inclusive retinopatias graus 3 ou 4 de Kimmelstiel-Wilson, encefalopatia hipertensiva, hematúria e disfunção renal. A Hipertensão Maligna é, em geral, fatal, a menos se tratada imediatamente e vigorosamente. Se a PA puder ser controlada, e geralmente poderá sê-la, o prognóstico dependerá da função renal2.

 

D. Pressão Arterial Limítrofe.

 

Os indivíduos com PA Limítrofe tendem a manter pressões acima da média e apresentam maior risco de Hipertensão definida, bem como eventos cardiovasculares não fatais e fatais, do que a população em geral. Como grupo, tais pessoas apresentam débito cardíaco aumentado, frequência cardíaca mais rápida e frações de ejeção do ventrículo esquerdo mais altas do que a população normotensa ou a de pacientes com Hipertensão estável2.

 

E. Hipertensão do Jaleco Branco

 

Descreve a situação na qual a PA de um paciente aumenta, quando medida por um médico ou outra pessoa da equipe de saúde, mas é normal, se medida fora do hospital. A síndrome é mais bem diagnosticada pela monitorização ambulatorial da PA (MAPA) durante 24 horas ou monitorização domiciliar, mas pode ser suspeitada com quaisquer medidas confiáveis feitas fora do ambiente hospitalar3.

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